Monday, November 9, 2009
O mundo é um sanatório
Após a irracional investida de uma turba de delinqüentes numa escola de ensino tida como superior no município paulista de São Bernardo do Campo, a vítima torna-se algoz, sendo expulsa da instituição pelo constrangimento e violência pelo qual passou. Eis o drama da jovem do vestido curto, escorraçada e ameaçada publicamente de estupro coletivo. Após imensa exposição e grande constrangimento público, a entidade “universitária”, se assim pode ser considerada, expulsa a garota e apresenta uma nota pública expondo a um maior ridículo aquela pobre moça, responsabilizando-a pelo próprio flagelo e demonstrando interesse em acolher os infratores, independente da violência praticada.
No próximo dia 23 de novembro , o delinqüente Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, abertamente disposto a destruir Israel, a única democracia no Oriente Médio, e defensor insano da política nazista contra os judeus, estará em solo nacional, como amigo e convidado especial do presidente Lula da Silva. Aquele senhor considerado persona non-grata em diversos países europeus, sobretudo na Alemanha, estará sendo recebido com toda a pompa pelo presidente molusco, numa clara demonstração de afeto aos regimes autocráticos, nitidamente ditatoriais e simpatizantes de práticas terroristas, como o governo comunofacista do tiranete venezuelano.
Há poucos dias o MST, milícia terrorista petista, invadiu fazendas produtivas no Pará, saqueou casas de moradores, ameaçou assassinar mulheres e crianças, agrediu trabalhadores rurais e pouco tempo depois recorre a grupos de defesa civil, colocando-se como grupo de luta social perseguido injustamente por questões político-partidárias. É um afronte a inteligência humana, a lógica mais elementar, onde dois somado a dois é sempre quatro . Onde as imagens atestam os fatos, e apenas a retórica da hipocrisia e cara de jacarandá do governo petista afirma o contrário.
Após mensalões, queima de arquivo (assassinato do prefeito Celso Daniel por chefões petistas), envolvimento com crimes de improbidade administrativa, a maior inflação da máquina pública já vista neste pais, aparelhamento e esfacelamento da policia federal, hoje fragilizada e balcanizada, partidarização até mesmo do Supremo Tribunal Federal, onde nem os preceitos mínimos de conduta ilibada e notório saber foram respeitados diante da escolha do ultimo ministro do STF, sendo selecionado unicamente em virtude dos serviços prestados ao PT, enquanto advogado do partido. Nada disto constrange os ainda petistas, rubroescarlates de coração, onde os fins justificam os meios, atestando o baixíssimo nível de moral encontrado naquela legenda partidária. Como detentores da verdade universal, atribuem-se no direito de perpetuarem-se no governo, independentemente dos princípios democráticos de alternância do poder, e sobretudo de respeito a constituição.
Estamos num momento onde o senso comum vence o bom senso, sendo aquele senso comum apenas um veículo de manobra para a manutenção do poder. Pouco a pouco, somos ameaçados por não defendermos a bandeira vermelha. Enquanto oposição, o PT defendia o direito a escolha, e a pluralidade de opções partidárias. Enquanto governo defende a homogeneidade de opiniões, ataca aquela parcela contrária as suas bravatas e não se satisfaz com aquela popularidade de 95%. É necessário converter os outros 05%, nem que para isso seja necessário elaborar falsos dossiês, difamar os adversários, constranger uma anêmica oposição, ínfimamente mais débil quando comparada ao PT, quando oposição.
Fosse a estudante de vestido insinuante membro de alguma ONG, negra, participante do MST ou andasse com um boton do Lula, estaria neste momento a Uniban, faculdade onde formaram-se tantos sindicalistas ligados ao PT, no programa do Fantástico dando desculpas mais verossímeis a população.
Cuidem-se os não sem-terra, cuidem-se os não filiados a qualquer ONG, cuidem-se os não petistas, nossos direitos e nossa individualidade estão com os dias contados. No futuro, seremos bem-vindos nos sanatórios da ditadura comunofacista petista, tal qual os dissidentes cubanos ou chineses. Lá ao menos os por demais lúcidos estarão reunidos.
Monday, November 2, 2009
Um torto senso de moral
Viajando ao Recife, neste final de semana, tive uma ótima oportunidade de sondar um pouco do ideário coletivo. Em dois momentos distintos obtive dois comentários semelhantes sobre fatos recentes, um deles foi acerca da postura do presidente da República, o Sr. Inácio Lula da Silva numa cerimônia envolvendo catadores de papel em São Paulo esboçando um evidente desconforto com a imprensa nacional “ a imprensa não deve investigar, deve informar”. Imagino uma realidade alternativa, onde a imprensa, excetuando-se claro aquela chapa branca como a Carta Capital e Caros Amigos, não se dispusesse a fazer o que vem fazendo ultimamente nos últimos 07 anos, expondo tantos escândalos e corrupções em todas as esferas da administração federal do governo petista. “Nuncaantesnaestóriadestapaiz” houve tanto ranço descarado com a imprensa nacional e flertes com regimes ditatoriais como nos últimos anos. Aponta-se as falhas e crimes óbvios da ditadura militar, e utilizam-se os mesmos métodos de coerção na imprensa, claro que devidamente velados aos olhos da opinião pública. Leia-se aqui por exemplo, a criação do Conselho Federal de Jornalismo, numa clara tentativa de intimidação dos veículos de informação jornalísticas não vinculados ou veiculados ao governo petista.
Num papo informal conversei com um taxista enquanto trafegava pelas ruas do Recife, perguntei-lhe sobre o governo petista, e o que pensava sobre o nosso presimente. A principio, percebi uma certa resignação, como se evita-se emitir alguma opinião potencialmente contrária a minha. Depois de deixá-lo mais a vontade, percebi um certo descontentamento com a administração petista em todos os níveis do executivo (municipal, estadual e federal). Percebi certa desilusão com o lularápio, e um certo ceticismo sobre o futuro do país. Esperava aquele profissional do volante mais coerência, mais seriedade e mais esforço do governo petista em aprimorar realmente os serviços públicos de saúde e educação. Dizia-se desestimulado a ter que votar em alguém no próximo ano, e mostrava-se incrédulo quanto a todas as possibilidades. Após uns vinte minutos de papo, percebi algo: não estou sozinho, embora o governo petista siga maquiado com batom, ruge, esmalte vermelho rutilante, os dados vêem a tona, e aqueles dispostos a encarar a realidade, pouco a pouco duvidam daquela popularidade em torno de 120%.
Noutro momento ainda no Recife estou na fila de uma padaria, comprando alguns itens para o café da manhã, e uma senhora comenta sobre uma matéria estampada na capa de um jornal local, no qual comentava-se sobre uma acadêmica de turismo perseguida por uma imensa corja de colegas universitários dentro de uma universidade paulista em Sâo Bernardo do Campo (Uniban), por a mesma trajar um vestido curto. Pareceu-me algo surreal, de uma selvageria e covardia impensável em qualquer país civilizado. Nenhum argumento, pode em hipótese alguma justificar tal atitude, independente da roupa, ou das intenções da garota, ou até mesmo da moral implícita ao uso da mesma. O ambiente universitário pressupõe o abrigo a diversidade e a multiplicidade de tendências e personalidades. Estivesse a garota nua em pêlo, mesmo assim, atitude como aquela seria injustificável. Não estou sendo conivente com a futilidade alheia, estou sendo conivente ao direito da cidadania. Ao direito constitucional de ir e vir.
Não defendo unicamente o direito individual, defendo sobretudo os nossos deveres. Temos o dever de respeitar os direitos de outrem. Tive oportunidade, algumas vezes de conhecer a realidade norte-americana, e algo pude constatar nos Estados Unidos da América, a verdadeira democracia nasce do respeito aos deveres e não pela busca indevida e constante pelos próprios direitos. Tal princípio da mais valia individual em solo nacional mina a convivência social e torna-nos mais próximos da anarquia. Quando todos buscam unicamente por vantagens em detrimento da lei e dos direitos alheios, a cidadania está em jogo. Quando um presidente flerta com o autoritarismo, e coloca-se acima da verdade e dos fatos, quando uma universidade é conivente com a iniqüidade coletiva dos seus alunos, são tristes evidencias de um tempo no qual nossos direitos estão progressivamente ameaçados. A democracia padece de defensores. Infelizmente temos um péssimo exemplo: um presidente exultante da própria ignorância intelectual , auto-indulgente e vangloriante da própria sagacidade e mesquinhez moral. Tempos obscuros, nos quais a lógica , o bom senso, o respeito a democracia estão minados pela demagogia e cinismo, seja ele individual ou coletivo.
Wednesday, October 7, 2009
Época de Trevas
Atualmente convive-se com o estado laico, onde os trâmites sociais são conjugados diante de referenciais racionalizados e onde o senso do majoritário diferencia obliquamente o certo do errado. Convive-se com a defesa de ideologias sociais onde o método torna-se algo secundário, onde o objetivo torna-se o cerne da questão em detrimento dos meios para alcançá-lo. Convive-se com a idéia obtusa na qual o coletivo prevalece sobre o individuo, sendo no entanto este último o verdadeiro responsável pelo crescimento de toda uma sociedade.
Uma sociedade apenas alcança o real desenvolvimento, quando o direito a individualidade e o respeito a tal princípio está intrinsecamente embutido em todas as formas de relacionamento humano, seja no direito a propriedade, a manifestações de idéias, a própria integridade física, ou até mesmo a escolha do parceiro ou da função profissional a ser exercida. Cogito esta pasteurização da moral, onde o coletivo prevalece sob um relativismo permissivo e flagrantemente simpatizante de meios violentos e autoritários para impor-se. Uma sociedade apenas alcança o real desenvolvimento, quando todos possuem chance de mobidade social, estando todos os direitos e sobretudo os deveres por todos legalmente assegurados e cumpridos. Onde a lei apresenta-se com a mesma aplicabilidade e rigor em todo individuo de qualquer extrato social.
Vive-se um momento onde pensamentos cinzentos ameaçam não apenas a razão, mas toda a moral ocidental cristã, responsável nos últimos séculos pelo fomento do conceito mais intrínseco de ética humana. Ameaça-se ultimamente até mesmo a regra de ouro da convivência social, onde o meu direito finda-se quando inicia-se o do outro.
Ultimamente retrocede-se humanamente, quando grupos terroristas, como o MST, aparelhados e financiados pelo estado e ONG’s européias praticam vandalismo, assassinato e roubos sob a tutela de todo um governo omisso e comparsa da ilegalidade. Um governo cujo senso de ética nivela-se a um dos mais baixos já imaginados, onde o mérito administrativo está em segundo plano e a fidelidade partidária dita as normas de gerenciamento público. Onde a corrupção alcança níveis estratosféricos e todos os erros atuais são pretensamente justificáveis pelos erros dos governos pregressos. Onde há um claro flerte com regimes autoritários e de exceção, países onde o estado julga, sentencia e assassina sumariamente os dissidentes. Uma realidade política maniqueísta, popularesca e centralizadora, voltada unicamente para a própria perpetuação do poder. Uma época na qual persegue-se produtores de soja, milho e açúcar, commodities estas responsáveis pela nossa estabilidade econômica, enquanto pisca-se um olho para o narcotráfico, verdadeiro responsável pelo aumento exponencial da criminalidade não apenas em nosso país, mas em todo o mundo.
Uma época de trevas paira sob nossas cabeças, onde o individuo é massa de manobra, e os nossos direitos básicos encontram-se potencialmente ameaçados.
Monday, August 10, 2009
Ultimamente tenho estado num nirvana emocional, onde a plenitude de sentimentos atinge um auge sem precedentes. Refiro-me ao meu filho, com 02 meses de vida refletindo nas doces expressões faciais toda a pureza de um bebê. Ele boceja, faz caretas, abre e fecha a diminuta boquinha, pedala virtualmente, movendo ambas as perninhas no berço, enquanto expressa muitas vezes no rostinho algumas vezes um rápido espanto, um rápido sorriso, um chorinho motivado pela fome de peito, ou pelas cólicas ou ainda pelo desconforto das fraldinhas mais pesadas. Aquele pacotinho de gente embalado em pequenos pedaços de pano é a maior motivação da minha vida, é o meu prêmio, minha alegria visceral e plena.
Ontem o Brasil comemorou o dia dos pais, uma data para mim conflitante, pois há pouco começei a entender melhor o amor da paternidade e triste pois senti a falta do meu pai, grande companheiro e exemplo de afetividade e sabedoria, falecido há cinco anos.
Meu pai vive nos meus pensamentos como exemplo de dedicação e compromisso com os filhos. Nele havia um exemplo de integridade e dignidade, do qual tenho grande orgulho. Nele havia uma palavra certa nos momentos oportunos. Uma mão segura na minha infância, adolescência e parte da minha vida adulta. Alguém com qual espero sempre espelhar-me de hoje em diante na condução do meu filho.
Amor de mãe é único, amor de pai também é. Ambos são complementares e fundamentais para o fortalecimento do ser humano em toda a sua plenitude, seja moral, física ou social. Amo meu filho, e hoje posso entender com maior nitidez o verdadeiro sentido da palavra amor, onde tudo caminha em direção ao outro. Onde a felicidade do filho é o motor da nossa própria felicidade. Hoje posso entender o quanto um filho motiva-nos a crescer em nosso continuo aprimoramento emocional.
Luquinhas, te amo muito, meu valioso “chaveirinho”.
Thursday, May 28, 2009
O livro negro do comunismo (uma boa dica de leitura)
As execuções de dezenas de milhares de reféns e prisioneiros e o assassínio de centenas de milhares de operários e camponeses rebeldes entre 1918 e 1922. A fome russa de 1921, que causou a morte de 5 milhões de pessoas. A deportação e o extermínio dos cossacos do Don em 1920. O assassínio de dezenas de milhares em campos de concentração no período entre 1918 e 1930. A grande purga que acabou com a vida de 690.000 pessoas. A deportação dos chamados “kulaks” entre 1930 e 1932. A morte de 4 milhões de ucranianos (Holodomor) e de 2 milhões de outros durante a dome de 1932 e 1933. As deportações de polacos, ucranianos, bálticos, moldavos e bessarábios entre 1939 e 1941 e ntre 1944 e 1945. A deportação dos alemães do Volga. A deportação dos tártaros da Crimeia em 1943. A deportação dos chechenos em 1944. A deportação dos inguches em 1944. O livro, entre outras fontes, usou material dos recentemente abertos ficheiros do KGB e de outros arquivos soviéticos
Monday, May 25, 2009
Domingo
Dia após dia somos compelidos ao total emburrecimento. Somos alvos de uma cultura cada vez mais sexualizada e popularesca, onde o banal, o fútil e o culto a auto-imagem são difundidos num tom quase hipnotizante. Louvamos a tecnologia e o fácil acesso a informação, seja através da internet ou através dos veículos popularizados de comunicação de massa, como a televisão e o rádio. Somos bombardeados exponencialmente por mais e mais informações, em detrimento da qualidade ou mesmo de uma espécie de filtro onde o bom senso determinaria qual o conteúdo e a forma seria mais relevante de propagação de tais temas. Longe de mim defender quaisquer mecanismos arbitrários de censura prévia a qualquer tipo de conteúdo informativo. Não sou contra a pluralidade de opções, sou contra a massificação de um formato, no qual toda uma sociedade é subestimada em todos os aspectos, sobretudo o moral e o cognitivo.
Não sou favorável a uma programação televisiva estéril e sem os programas-alvo, onde a publicidade dita um maior lucro. Respeito a diversidade favorável a um ou a outro público. Não concordo no entanto é com o nivelamento simples e medíocre de opções, onde a audiência dita tendências, em detrimento de alternativas mais edificantes. Semana passada, uma reportagem publicada na revista Veja aponta exemplos detalhados de uma triste tendência, onde programas de auditório buscam apropriar-se do sofrimento alheio, embrulhado num misto de insensatez e brutalidade para alçar maiores espaços na corrida pela audiência diária.
Lembro com uma certa nostalgia das manhãs dominicais, dos anos 80, onde os finais de semana apresentavam uma programação mais elaborada, onde o futurístico Cosmos produzido pelo astrônomo Carl Segan, ou o Concertos para a juventude apresentado pelo maestro Isaac Karabtchevsky, precedido por desenhos animados eram muito mais interessantes e convidativos as crianças e adolescentes. De lá pra cá muita coisa mudou, somos bombardeados por programas de auditório chulos, apresentadores fazem menção constante a astros instantâneos, músicos e músicas são reverenciadas exaustivamente a despeito de suas verdadeiras qualidades.
Não é estranho vivermos numa sociedade tão avessa a leitura, desde a mais simples, sob forma de jornais quanto a mais complexa, sob forma de literatura. Diante da televisão somos expostos aos novos juízos de valores, e nossa própria capacidade de reflexão sofre atrofia progressiva.
Portanto, criemos empatia com aqueles livros empoeirados existentes nas estantes das nossas casas, peguemos aquele Dom Casmurro, aquele livro sobre a epopéia grega e comecemos a lutar consigo mesmos. Num final de semana livres de Gugus, Silvios Santos, Fautos Silvas e absorvidos nas páginas de um bom romance, talvez possamos ter alguns pontos de vista mais interessantes e elaborados sobre a nossa própria existência.
Tuesday, May 5, 2009
“É pau, é pedra, é o fim do caminho…”
“É pau, é pedra, é o fim do caminho”. Talvez este verso do genial Tom Jobim, encontrado na canção “Águas de Março”, traduza muito bem este período chuvoso do Cariri Cearense. Águas de março, de abril e provavelmente de maio, água em todo canto, toda cidade, em vários estados do nordeste brasileiro. Enfim um período chuvoso, previamente subestimado pela meteorologia.
Tal período contrasta com o estereótipo seco e cinzento do sertão nordestino, retratado ao longo da história e geografia nacionais. No entanto, a miséria e o descaso político nos períodos de escassez pluvial faz-se notar também nestes períodos de abundância hídrica. Onde há água em excesso, há prejuízo de lavouras, de imóveis invadidos pelas águas, sobretudo nas cidades, como Juazeiro do Norte, onde inexiste um sistema decente de saneamento básico. Hoje pela manhã, ao percorrer a Rua Padre Cícero, no centro do Juazeiro, deparo-me com uma via pública invadida pelas águas, após uma rápida chuva. Até as calçadas apresentavam uma lâmina espessa de água, e os transeuntes involuntariamente eram vítimas de banhos por fontes de águas arremessadas pelos carros mesmo em lento deslocamento.
Uma cidade com elevada arrecadação tributária, com valor comercial para os estados vizinhos, com situação geográfica estratégica, pois é eqüidistante das principais capitais nordestinas, conhecida por ser um importante pólo calçadista (o segundo do país, estando atrás atualmente apenas da cidade de Franca
em São Paulo), enfim uma cidade valiosa não apenas para a região do Cariri, mas para todo o estado cearense é vítima de sucessivas administrações municipais, onde a improbidade administrativa aliada ao descaso com a infra-estrutura pública é responsável por uma cidade com crescimento desordenado, com elevados índices de violência, com um trânsito caótico, um sistema de saúde extremamente precário e sucateado, e uma educação publica beirando uma posição virtual de satisfatoriedade.
Neste cenário surreal, algumas chuvas mais fortes expõem o auge de todo a nossa precariedade e carência municipal em vários aspectos: vias publicas reformadas com gerenciamento e material de qualidade duvidosa cedem, abrindo crateras a céu aberto, a dengue e outras doenças de aspecto sazonal aparecem de forma epidêmica e exponencial e dificilmente são controladas, o trânsito torna-se mais anárquico e lento, o comercio tende a ter menos vendas, pessoas ausentam-se mais do ambiente de trabalho, há prejuízo para todos, incluindo-se ai a própria máquina pública com queda na arrecadação dos tributos. Enfim todos saem perdendo.
“É pau, é pedra”, e talvez o fim do caminho. Ou tomamos uma postura mais ativa e fiscalizatória sobre o destino dos nossos impostos, ou assistimos a tudo isto, apenas nas arquibancadas precárias dos nossos lares, cada vez mais indefesos e reféns de uma realidade, onde indivíduos entram na vida pública, unicamente preocupados com o crescimento pessoal e promovendo um descarado enriquecimento ilícito com o dinheiro público. E haja chuva, chove corrupção, chove miséria, chove violência, chove impunidade. Ahh, atualmente chove água também!!!
Monday, May 4, 2009
Sobe o escrúpulo…
Como previamente mencionei neste blog, meus posts são publicados de forma mais esporádica, a depender da minha disponibilidade e motivação pessoal. Escrevo sob circunstâncias onde sentimentos e percepções ao meu redor atuam como fontes de inspiração.
Retornei há quase cinco anos ao interior do Ceará, numa região conhecida por Cariri cearense. Aqui tive e continuo tendo oportunidades de conhecer pessoas com as quais tenho a honra de compartilhar boas amizades. Sou clínico por formação, e tal perfil permeia todas as minhas atitudes profissionais. Detenho portanto um perfil de observador, minha rotina habitual volta-se para a investigação de sintomas, de achados clínicos, com os quais posso estabelecer uma relação de prováveis hipóteses diagnósticas. Meus amigos mais próximos sabem do meu apreço também pela literatura, pela filosofia, e minha curiosidade sobre a alma humana. Tento, portanto, sempre que possível, assimilar as congruências do espírito e do corpo, pois muitas vezes, os transtornos de um apresentam repercussão sobre o outro.
A palavra escrúpulo, proveniente do latim scrupulus, é o diminutivo de scrupus, e significa “pedra pequena e angulada”. Portanto aquela voz interior, na qual nossas atitudes sofrem o efeito de continua avaliação e validação moral, atua como uma “pedra no sapato” das nossas consciências. Aquela voz, ou esta “pedrinha” em nossos “sapatos” para muitos indivíduos, infelizmente não é mais perceptível e com isto muitos passos equivocados são dados na direção errada, na direção unicamente dos próprios desejos e ambições pessoais. Testemunho ultimamente condutas onde o escrúpulo de alguns colegas médicos adquire uma elasticidade e relatividade inadequadas para estes indivíduos, no quais toda a confiança é depositada, diante de uma enfermidade. Certa vez um colega e grande profissional médico falou-me : “Vivemos numa época em que a lei de mercado coloca-se acima da lei da consciência.” Ultimamente, preciso concordar com ele.
A conduta inescrupulosa de alguns, aliada a sensação de impunidade e a fiscalização limitada dos conselhos regionais de medicina permitem esta situação perigosa, onde a saúde de muitas pessoas é posta
em risco. Infelizmente o acesso a um curso médico é feito graças ao conhecimento obtido previamente e ao sucesso diante de uma avaliação objetiva. Os aspectos conativos (emotivos), psicológicos e morais são relevados a um segundo plano. Muitos médicos concluem o curso, sem o devido substrato moral ou mesmo psicológico. Substrato este necessário para entrar na intimidade individual das pessoas, intimidade esta invadida em toda a sua plenitude, seja física, psicológica ou familiar.
Oriento a todos, portanto uma busca ativa por informações acerca do médico com o qual é ou pretende ser acompanhado. Informações acerca da formação e qualificação do mesmo e se possível, até mesmo sobre aspectos relacionados ao caráter do referido profissional.
Sugiro a todos, inicialmente, checarem a qualificação profissional do médico, verificando se ao menos ele é o que diz ser no site do Conselho Regional de Medicina. Basta colocar o nome completo ou o número do CRM nos espaços solicitados. Não me proponho a nenhum denuncismo individual, apenas a não conivência com uma conduta profissional ao meu ver, no mínimo imoral.
site do CFM: www.portalmedico.org.br
Tuesday, April 21, 2009
A vida carrega tantas motivações, o desejo de superar-se como centro dos nossos próprios desejos e prazeres no entanto fica mais e mais num segundo plano proposital. Somos bombardeados diariamente com imagens e propostas muitas vezes subliminares, onde toda forma de prazer egoísta ganha contornos sedutores e irrecusáveis, sejam na publicidade, nos relacionamentos mais superficiais e infelizmente até mesmo dentro dos nossos relacionamentos mais íntimos e familiares.
Dia após dia, passamos a deslumbrar o outro como um caminho para nossos desejos e projetos de alegria momentânea. A espiritualidade ganha contornos ornamentais e muitas vezes caricato. Indivíduos de exposição pública na mídia seja nos jornais, na televisão, no cinema, na música e nos esportes trazem consigo personalidades de conteúdo vazio e hedonista.
O sentido da vida não carece de simplicidade, ao contrário é pleno de valores simples e indispensáveis ao convivo com os outros e sobretudo consigo próprio. Somos mais e mais egoístas e ensimesmados. Temos ambições pessoais, materiais, profissionais e carregamos uma necessidade de auto-afirmação, onde o palpável quase nunca é alcançado. O desamparo margeia nossos espíritos em várias ocasiões da vida, e sentimos o quanto somos frágeis diante da perca de um ente querido, ou numa situação de extrema debilidade de saúde física ou psicológica. Nestas ocasiões todo o amparo financeiro e físico torna-se irrelevante perante nosso sofrimento. Somos mais vulneráveis que imaginamos, e nossa vulnerabilidade anda lado a lado com nosso mundo materializado e voltado para os prazeres pessoais.
Diariamente falamos e agimos mais e pensamos menos, coagimos mais e cedemos menos, estamos dispostos a receber mais e doar-se cada vez menos. Enfim, vivemos num mundo no qual as relações pessoais teoricamente voltam-se para um único sentido: o meu sentido. O amor nunca foi tão utópico e distante quanto nestes dias atuais, onde a verdadeira doação cede espaço para a venda da nossa real disponibilidade. O egoísmo governa todos, e faz-nos ver a fé a espiritualidade cada vez mais como artigos exóticos e alheios a nossa própria existência.