Tuesday, July 12, 2011

Segue a vida

Assim segue a vida
Repleta de duvidas e planos a vista
Assim segue a vida
Repleta de sonhos e batalhas vencidas
Assim segue a vida
Balbuciante na entrada, eloquente na saída
Assim segue a vida
As vezes compartilhada, sempre dividida
Assim segue a vida
Para muitos chegada, para todos partida
Assim segue a vida
Para muitos sofrida, para outros bem resolvida
Assim segue a vida
Para muitos saudação, para muitos despedida
Assim segue a vida
Quando bem vivida ou então falecida
Assim era a vida

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Monday, May 23, 2011

Tristeza


Tédio tarda tolamente
Todo tempo
Todo tempo
Tua tristeza tumultua-te
Tanto traz tua tormenta
Tempero triste traz te torpor
Tendo todo desabor
Fujindo da letra T
Talvez por carência de transparência
Talvez por carência de aconchego
Vejo tua genética robótica
Onde a temperança do afeto é ausente
Triste herança onde a desconfiança
Traz consigo o maior legado
Pobre humanidade atormentada
Pacifico-me diante do inevitável
Indiferença e desamor
Olho em volta e questiono-me
Onde estou?

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Tuesday, April 19, 2011

A vida é um clichê…

No relacionamento a dois
Eu te amo tornou-se clichê
Vivendo cada um por si
Domindo a dois e acordados num embate

No relacionamento a dois
Eu não vivo sem você é outro clichê
Cada um tem seus planos
O pronome nós sofreu desgaste

No relacionamento a dois
Eu penso muito em ti é demondè
Cada qual com sua carreira
Os filhos que sofram este empasse

No relacionamento a dois
Eu compreendo você não é pra valer
Cada qual com suas angústias
O sonhado amor vive a parte

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Saturday, April 16, 2011

Carvalho

Sou Carvalho
Madeira naval, madeira do vinho
Cá estou eu fincado no solo
Com o meu tronco centenário
Enfrentando climas hostis
e plantas nativas
Para alguns sou lenha
Para outros sou mobilia
Para outros sou cerca

Para alguns sou abrigo
Para alguns sou remédio
Para alguns sobrenome
No entanto adstrinjo
Disposto a tudo e a todos
Quanto ao quesito utilidade

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Ínsipido desejo

Minha insipida cor preferida
Tua inodora gratidão embotada
São duas companheiras perdidas
São duas condições atadas

Minha solidão encardida
Tua indiferença declarada
São duas solitárias aderidas
São duas amigas de fachada

sigo alheio ao festejo
sigo cortês ao cortejo
sigo indiferente a indiferença
Sigo minha vida de manada
Vivendo e aprendendo de tudo um pouco
Aprendendo a viver com quase nada

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Wednesday, April 13, 2011

Um anjo…

Vi um anjo
Sorrindo o belo anjo
Angelicalmente olhou-me nos olhos
Angelicamente sentou-se no meu leito
Sussurou-me palavras ao ouvido
Acenou, abriu as asas e voou
Deixando comigo a saudade
Levando consigo a bondade
Na qual sonho repousar
Onde possa ter a certeza
Onde possa ver a natureza
Do verdadeiro acolhimento
Acordei, fui trabalhar
Cochilei, finalmente lembrei
Tudo foi um sonho
o belo anjo de cabelos dourados
Sumiu e deixou-me a sonhar

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Wednesday, February 23, 2011

Cursinhos de Pós-Graduação Latu-senso em Medicina


(Um Lucrativo Comércio de Certificados)

Não bastasse o aumento indiscriminado dos novos cursos de graduação médica em todo o território brasileiro, testemunha-se ultimamente nos últimos anos um novo filão mercantilista: “Cursinhos de Pós-Graduação Médica”. Nos últimos 10 a 12 anos a abertura dos novos cursos de medicina talvez só tenha ficado atrás em termos numéricos das novas seitas e denominações evangélicas. A despeito dos argumentos previamente apregoados para a abertura de novos cursos médicos nos meados dos anos 90, sobretudo a carência de profissionais médicos, a relação nacional médico-paciente há mais de 15 anos já enquadrava-se na razão recomendada pela Organização Mundial da Saúde (1 médico para cada 1000 habitantes), havendo entretanto um grande número de profissionais sobretudo nas capitais, sobretudo do sul e sudeste.
Havia carência e ainda há, é fato, principalmente de pudor dos parlamentares envolvidos com o forte lobby das instituições de ensino terciário, interessadas sobretudo no lucro fácil. A equação é de fácil entendimento: um país carente de oportunidades no setor tecnológico, onde o glamour da profissão médica esconde uma rotina desgastante e com perspectivas de queda real da remuneração profissional, com pais ávidos por terem 02, 03, 04, 05 filhos médicos; tudo isto aliado um governo aliciado e financiador direto de múltiplas instituições privadas com fáceis linhas de crédito estudantil. Não sou contrário, deixo claro, nem nunca fui a abertura de novos cursos médicos. Mas sempre avaliei de forma crítica esta abastança de cursos em estados, como o Ceará, hoje possuidor de 07 cursos médicos, e ao mesmo tempo detentor de péssimos índices de saúde pública a começar pela atenção básica. Procuro sempre entender quais os critérios envolvidos na abertura de mais uma faculdade de medicina como há pouco ocorreu no municipio paraibano de Cajazeiras, já possuidor de um curso de medicina via extensão universitária da UFCG. Uma cidade de povo hospitaleiro, com um pouco mais de 50.000 habitantes, mas com uma assistência hospitalar municipal reconhecidamente virtual.
Impressiona-me mais ainda a ausência de comprometimento moral e ético dos colegas médicos envolvidos na organização, planejamento e comercialização dos “cursinhos” de pós-graduação, de outros tantos ávidos sobretudo pelo desejo de possuírem uma pretensa qualificação que os faça ascender mais rapidamente dentre aqueles outros colegas mais qualificados, esforçados e cientes do adequado aprimoramento profissional. Sigo com a lógica simples e cartesiana: mais médicos bem ou mal preparados são lançados no mercado de trabalho a cada ano. As instituições de ensino já reconhecidas pela AMB (Associação Médica Brasileira) nos hospitais públicos e privados não comportam esta nova e imensa massa de novos médicos, afunila-se as oportunidades oficiais e portanto nascem as oportunidades oficiosas. Nesta sequencia de raciocínio lógico, excetuando-se os pacientes, todos “ganham” (as novas escolas de medicina, alguns médicos recém-graduados, outros médicos envolvidos nos cursinhos “Latu-senso”). Cursos estes com carga teórica maqueada, insuficiente, carente de conteudo e convivencia prática, algumas vezes semi-presencial ou pasmem, de finais de semana. Logo vence o espírito mercantilista em detrimento da saúde coletiva. Ecce novum brazilian mediccorum.
Na cidade onde resido, Juazeiro do Norte, e nas cidades circunvizinhas, do Cariri cearense é notória esta conduta, onde “colegas” médicos vislumbrando tão somente o lucro financeiro e a demanda por uma especialidade específica pulam etapas, não cursam sequer uma residência de clínica médica (pre-requesito básico) para a prática posterior de um curso sério e previamente reconhecido pela AMB/CFM no preparo da especialidade subsequente. Alguns colegas na ânsia de obterem o seu espaço num determinado nicho médico não buscam aprimorar-se cientificamente, ou eventualmente associam-se a alguma universidade local com o intuito de obterem algum respaldo para o exercício indevido de alguma especialidade médica para a qual não foram devidamente preparados anteriormente.
Juridicamente todo médico está apto a exercer qualquer especialidade médica, desde clínica médica até neurocirurgia, no entanto eticamente o profissional médico esta apto tecnicamente para a especialidade médica para a qual foi submetido num curso de pós-graduação apropriado.

De antemão consolido as informações supramencionadas em três artigos do Código de

Ética Médica:

É VEDADO A TODO MÉDICO:
Art. 50. Acobertar erro ou conduta antiética de outro médico.
Art. 51. Praticar concorrência desleal com outro médico.
Art. 57. Deixar de denunciar atos que contrariem os postulados éticos à
comissão de ética da instituição em que exerce seu trabalho profissional e, se
necessário, ao Conselho Regional de Medicina
Art. 115. Anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou
área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho
Regional de Medicina.

Código Penal:
Decreto-Lei No. 4.113 de 14 de fevereiro de 1942:
Regula a propaganda de médicos, cirurgiões dentistas, parteiras, massagistas, enfermeiros, de casas de saúde e de estabelecimentos congêneres, e a de preparados farmacêuticos.
Art. 1o. – É proibido ao médico anunciar:
I – cura de determinadas doenças, para as quais não haja tratamento próprio, segundo os atuais conhecimentos científicos;
Art. 196 – Fazer concorrência desleal: Pena – detenção, de três meses a um ano
Lei No. 3.268 de 30 de setembro de 1957 (D.O.U. de 04/10/1957):Dispõe sobre os Conselhos de Medicina e dá outras providências:
Art. 20 – Todo aquele que, mediante anúncios, placas, cartões ou outros meios quaisquer, se propuser ao exercício da Medicina, em qualquer dos seus ramos ou especialidades, fica sujeito às penalidades pelo exercício ilegal da profissão, se não estiver devidamente registrado.

Código de Defesa do Consumidor:

Lei No. 8.078 de 11 de setembro de 1990 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor – D.O.U. de 12/09/90):
Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
“(…)
Art. 36 – A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.
Art. 37 – É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
Parágrafo primeiro – É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
Parágrafo segundo – É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.
Parágrafo terceiro – Para efeitos deste Código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço.
(…)
Art. 39 – É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:
(…)
IV – prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;
V – exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva.

Divulgação publicitária de uma especialidade para a qual o indivíduo não foi adequadamente preparado portanto pode ser enquadrado nos três aspectos:
1- Diciplinar (Ético-profissional)
2-Juridico (Código Penal)
3- Direito do Consumidor
A informação é melhor aliada nestes momentos, portanto informe-se sempre, pois acredito que os próprios profissionais não qualificados teriam receio em levar um próprio ente a outro profissional semelhante.
Dica aos usuários dos serviços médicos: Consultem sempre o portal
www.portalmedico.org.br (utilizem o CRM do médico no espaço correspondente e pesquisem como o profissional é reconhecido junto ao Conselho Federal de Medicina)
Dica aos médicos recem-graduados: evitem o caminho mais curto, lembrem-se quanto maior o investimento (qualificação) maior será o retorno (segurança, confiança) no exercicio profissional.
Dica aos médicos inescrupulosos: o acesso a informação hoje em dia é fácil e o verdadeiro respaldo profissional cresce em função da qualificação e seriedade dos objetivos pretendidos.

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Tuesday, October 12, 2010

Em busca do essencial

  As adversidades tornar-nos cientes dos nossos potenciais e limitacoes. Com a convicçao socrática de quem convive com a dor humana e percebe-se no lugar do outro, aprendi a lidar com a indiferença e a soberba de muitos na minha rotina diária. A condição de ouvinte e observador cuidadoso torna-me ciente do quao somos aversos aos detalhes mais valiosos da nossa existencia.   As oportunidades nais quais temos nosso maior aprimoramento coincidem com a aceitacão das nossas limitações e temores. O mérito 
maior de Ulysses do irlandes James Joyce é mostrar o quanto há de surpreendente na rotina dos nossos dias, mesmo nos momentos mais corriqueiros sempre ha pequenos, mas significativas evidencias para repensarmos as nossas escolhas. O aprendizado nao está contido unicamente nas nossas escolhas conscientes, mas nas opcoes nao selecionadas e nas falhas não declaradas. Somos um amontoado de contradições em conflito. Explico-me: aprendemos desde cedo o valor do respeito ao outro, mas somos induzidos a valorizarmos sobretudo nossa voluntariedade, havendo portanto conflito de interesse: nossos desejos em detrimento dos direitos alheios.  Somos senhores de nossos sucessos e das nossas frustrações. Não há homem 100% bem sucedido nao conhecedor de algum fracasso, nem homem completamente fracassado nao detentor de alguma atitude bem sucedida. Somos falhos em algo, num determinado momento das nossas vidas.      Tive a honra de conhecer bons profissionais medicos, exemplos de dedicação profissional e outros doutos de academicismo sem paralelo na rotina universitaria. Conheci gênios prodigiosos da medicina, grandes cientistas no entanto não conheci sábios na minha profissao. Sempre deslumbrei a sabedoria de uma pessoa simples, humilde, mas repleta de respostas ponderadas, o meu pai. Nele encontrava o discernimento necessario para meus questionamentos. Nele encontrava retidão de caráter e uma austeridade hoje pouco habitual nos homens mais velhos.  Nele encontrava um exemplo de conduta, onde as adversidades da vida eram enfrentadas de cabeça erguida, mas com  respeito e valorizaçao da familia e de certas convicçoes morais. Neste ampanhado de impressoes e percepcoes sociais não considero-me aquem ou alem de ninguem, em termos de valorizacao pessoal. Tenho a convicçao do quao falho sou e do quanto preciso aprimorar-me para um dia servir de exemplo ao meu filho. Exemplo de alguem cada vez mais compromissado com a superaçao de si proprio, no sentido mais humano da palavra.

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Sunday, August 29, 2010

Amor da minha vida….

Vira-se para cima, coça a nuca, boceja e de repente vem aquele sorriso de poucos dentes e muita espontaneidade preenchendo a minha vida. Acorda-se as vezes assustado, com olhinhos marejados e chorosos. Aproximo-me do pequeno leito e contemplo aquelas diminutas maozinhas erguidas e agitadas em minha direção. Não me contenho e levanto aquela pequena criatura. Eis meu filho: com a cabeça repleta de cachos, embalado num pijaminha azul, com olhos castanhos e curiosos. Lembro de uma crônica publicada na revista Veja, na qual o controverso, porem inegalvemente inteligente Diogo Mainardi relatou o deslumbramento da paternidade e o amor icomensurável por um filho. O filho é a mais singular e perfeita oportunidade de refletimos sobre nossa própria humanidade e a importância do nosso exemplo como pai. Num país onde mata-se por muito pouco, o assalto ao erário é institucionalizado nos orgãos públicos, e a lei de Gerson domina boa parte das relações interpessoais, a responsabilidade do pai ganha valor social. Sou duplamente responsável pelos cuidados primarios deste pequeno ser, balbuciante e adorável, quando bebê e pelas atitudes e posturas desta mesma criança num futuro próximo quando adulto. Com os meus pais aprendi as leis básicas da sobrevivência e adquiri os principios e valores para minha própria existência. Com meu filho compreendo melhor a cobrança por minha superação pessoal. Superação dos temores, limitações e expectativas não plenamente alcançadas. Com esta criança entendo melhor a necessidade do meu aprimoramento, sobretudo o moral. Com meu filho entendo melhor a complexidade da palavra amor, onde nossa existência deixa de ser nosso principal referencial e outra pessoa assume o alvo de nossas maiores expectativas. Muitos amigos próximos quando eu comentava não ter medo da morte, da minha em particular, hoje espantam-se quando afirmo ter pavor de morrer. Explico-me: temo por esta criaturinha, hoje pequena e indefesa e por sua subsistência, caso eu venha a falecer. Temo por outro referencial masculino compulsariamente inserido na vida do mesmo, não afeito e não imbuido de amor ao meu pequeno. Temo por potenciais adversidades, nas quais eu como pai enfrentaria no intuito de evitar expo-lo a maiores sofrimentos ou constrangimentos. Enfim temo ve-lo sofrer. A paternidade talvez remeta um turbilhão de sentimentos conflitantes: de um lado temos a completude de nossa continuidade naquele rostinho inocente, do outro vemos o quanto a nossa presença ou ausência contribui para o amadurecimento e aperfeiçoamento. As vezes não sei quem é mais frágil, se sou eu, ou se é ele, pois minhas maiores motivações de contentamento giram em função do meu filho, e até o distanciamento físico não proposital afeta o meu humor no dia a dia. Viro-me deitado na cama, com o notebook agora de lado, olho para o porta-retrato e as quatro fotos de Luquinha sorrindo atestam esta sensação: não vivo sem ele. Aos céticos da alma, afirmo: Amem! Amém não pela metade! Amem com os olhos fechados e o coração aberto, pois não há espaço para o vazio, quando o amor traz consigo esta plenitude. A plenitude do amor por um filho. Meu pequeno, amo-te mais que a mim mesmo. Amo-te como nunca imaginei amar alguém. Amo-te com a convicção de ter-me tornado uma pessoa um pouco melhor após tua existência. Obrigado por existir. Com amor. Papai.

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Sunday, May 2, 2010

Meu primo

Há duas semanas revi uma pessoa querida da minha familía. Há muito não nos víamos, no entanto a distância e o tempo nunca foram obstáculos para a consideração e carinho mútuos. A vida passa e com ela passam experiências, com as quais somos capazes de compreender melhor esta existência tão carregada de altos e baixos. Somos compelidos neste mundo a acreditar no prazer e a no conforto como os nossos únicos motivadores. De repente, alguns faróis humanos repletos de espiruatilidade e retidão assombra-nos como prova da verdadeira presença de Cristo entre nós. Refiro-me ao meu primo, agora conhecido como irmão Samuel,  singular exemplo de fé e compromisso cristão no execicio da vida monástica.

Assombra-me existir atualmente uma chama tão bela de espiritualidade e compromisso de fé a iluminar outras pessoas. Nesta época de escassa expressão da vocação religiosa, onde sobretudo a fé católica vem sendo posta em xeque, é maravilhoso ver no horizonte uma nau cristã neste mar de iniquidades. Sinto orgulho em ter alguém na familia tão repleto de compromisso com a fé cristã, quanto o meu querido primo. Durante a cerimônia de profissão da fé, onde todos os prazeres humanos são renegados, pude observar no semblante deste homem o quanto de divino pode habitar-nos quando estamos dispostos a aceitar Cristo em nossas vidas.

Já fui mais religioso, e demonstrava com mais afinco a minha fé. Com o passar do tempo, afastei-me dos ritos e das cerimônias católicas. Hoje detenho esta embotada condição de católico não-praticante em função da ausencia proposital da vida religiosa. Um encontro com meu primo fez despertar em mim novamente o encantamento pela sublimação da alma. Uma condição onde o anímico vence o instinto em toda e qualquer manifestação do desejo humano. Vendo aquele homem completamente despojado de qualquer manifestação de hedonismo, pude constatar o quanto Deus pode fazer-se pleno e preencher todas as lacunas das nossas vidas.

Voltei a acreditar na santidade em vida, numa condição onde a plenitude da fé pode ser demonstrada com extrema naturalidade e completude. Pequenos milagres são testemunhos de tal santidade, como a reaproximação com entes queridos, e o contato com outros entes até então não conhecidos. A dimensão do milagre não encontra-se na sua visibilidade publica, nem no seu notório reconhecimento popular, encontra-se muitas vezes nas simples, porem profundas revelações pessoais, sem as quais seria praticamente impossivel nosso aprimoramento humano e sobretudo espiritual. Mercinho, querido Emerson, agora irmão Samuel, obrigado por ser este milagre vivo existente em nossa famíla. Obrigado pelo testemunho em vida da fé que realmente liberta e nos torna verdadeiros cristãos

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